O patinho tavu na lagoa... O Menininho tavu na canoa... Se eu fosse uma brabuleta.... Pegavu ele e butavu na maleta....

12/14/2006

Punhal de Prata
Alceu Valença



Eu sempre andei descalço no encalço dessa menina
E a sola dos meus passos tem a pele muito fina
Eu sempre olhei nos olhos bem no fundo, nas retinas
e a menina dos olhos me mata, me alucina


Eu sempre andei sozinho. A mão esquerda vazia
A mão direita fechada. Sem medo, por garantia
De encontrar quem me ama na hora que me odeia
com esse punhal de prata brilhando na Lua cheia


Mas eu não quero viver cruzando os braços
Nem ser Cristo na tela de um cinema
Não quero ser pasto de feras numa arena
Neste circo, eu prefiro ser palhaço!


Eu só quero uma cama pro cançasso
Não me causa temor ou pesadelo
Tenho mapas e rotas e novelos
pra sair de profundos labirintos
Sou de ferro, de granito
Grito aflito na rua do sossêgo!
Sossêgo!


Mas na verdade é mentira
Sou resto, sou a sobra, no copo, sou sobejo
Sou migalhas na mesa, sou desprezo
Eu não quero estar longe, nem estou perto
Eu só quero durmir de olho aberto
Minha casa é um cofre sem degredo
meu quarto é sem portas ... tenho medo!
Quando falo, lhes digo, calo e minto
Sou de ferro, de aço e de granito
Grito aflito na rua do sossêgo!
Sossêgo!


O que prende demais minha atenção
é um touro raivoso na arena,
uma pulga, do jeito que é pequena
dominar a bravura de um leão!
Na picada, ele muda a posição
pra coçar-se depressa, com certeza.
Não se serve da unha, nem da presa
Se levanta da cama e fica em pé
Tudo provando como é
poderosa e suprema a natureza!


Eu desconfio dos cabelos longos de sua cabeça
se você deixou crescer de um ano pra cá!
Eu desconfio, no sentido extrito!
Eu desconfio, no sentido lato!
Eu desconfio dos cabelos longos,
e deconfio do Diabo à quatro, do Diabo à quatro, do diabo à quatro!


êh, êh, êh
Indio quer apito
Se não der, pau vai comer!

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