O patinho tavu na lagoa... O Menininho tavu na canoa... Se eu fosse uma brabuleta.... Pegavu ele e butavu na maleta....

2/22/2006

Água gelada, frutas e devaneios



"Sempre gostei da natureza no verão e sempre fui muito grata pelas noites quentes. Veja bem, minha pele não vê a luz do sol, pois eu sempre durmo até tarde e, outra, ficar ardendo sem que ninguém possa me tocar nunca mais!!! Agora, noites quentes... isso é um prazer que ninguém pode me tirara.

Tudo começou quando eu era menina, uns 18 a 19 anos de idade, e morava na grande casa dos meus avos, junto com meus pais. O meu pai e minha mãe tinham uma comunidade hippie onde as pessoas eram livres, só não eram livres das contas de luz, água, imposto e etc... o que fez um homem preso num terno e numa enforcante gravata, chutar aquele "bando de vagabundos" - como ele se referiu - da propriedade fazendo que meu pai e minha mãe me criassem na linda mansão dos meus avos. Dois velhinhos ricos, muito bem-humorados e, por incrível que pareça, muito menos "careta" que meus pais. Cansei de pegar meus avos fazendo travessuras pela casa e, os desavergonhados - palavra dita pela minha mãe - nunca deixaram de continuar os assanhamentos, só lembravam de fechar a porta.

Como eu ia dizendo, fui criada naquela mansão e com a magnífica visão do criado Jhonny, um homem extremamente rústico, com traços de mulher, como beiços vastos, sílios longos, cabelo liso e ao mesmo tempo, corpo de um quase ogro. Eu brincava dizendo que ele era um dois em um.

Aí, como eu gostava de ver do telhado, o Jhonny tomando banho nas noites de luar, no chuveiro que ficava fora de casa e era cercado por uma treliça de madeira com pés de pitanga e acerola, entorno. Sempre nas noites quentes eu ia pro telhado e depois sonhava com a cena. E, nos fim de semana, Jhonny nunca estava em casa, eu ia até o chuveiro e experimentava aquilo que me vez amar até hoje as noites quentes de verão. Ver a água gelada transformas a minha pele em metal, graças à luz da lua, sentir o cheiro das frutas maduras e poder catá-las no banho e chupá-las durante o banho mesmo, pensando em Jhonny e na Marlene Dietrich cantando aquela música em que ela se oferece como um presente de aniversário para o violinista Jhonny...

Passei muitas noites naquele chuveiro e um dia tive a sensação que estava sendo vigiada do telhado, mas não vi nada. Sei que, depois desse dia, passei a receber livros e mais livros dos meus avos sobre orientação sexual... Enfim, só me ajudou a definir o que sempre quis fazer na minha vida. Ai... Jhonny...."

Dona Lubrax

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