O patinho tavu na lagoa... O Menininho tavu na canoa... Se eu fosse uma brabuleta.... Pegavu ele e butavu na maleta....

3/20/2005

Coisas Sobre Loucos...



Ando falando muito sobre isso. Vou explanar!

Sou um imã de maluco... Segundo minha amiga psiquiatra, a R., eu tenho hormônio de maluco... o que é de fato.

Se eu tiver num lugar entupido de gente, e entrar um maluco... eu posso estar em lado oposto, dentro do banheiro, embaixo da mesa, qualquer lugar que o maluco me acha e vem com tudo. Nem sempre é amigável... Já apanhei de maluco, várias vezes. E pensa você qu'eu ligo? Ligo não... A única coisa que me irrita é quando maluco me usa pra gastar onda... aí me empombo logo! Neguzinho se entope de coisas, fica doido, me vê e assim descobre, "é aquele!" e começa disparar um bla bla bla infernal sobre o sexo dos anjos... isso me irrita!!! Jesus, sempre agradeço por não andar armado em horas como essas...

De todas as milhões de histórias que eu vivi com malucos que me achavaram, a mais bonita foi com uma mulher nas barcas Rio/Niterói. Foi tão legal que sinto vergonha de ter feito o que eu fiz... mas não tive muita saída. Foi assim;

Eu sentei na barca, naquela fileira única do lado da escada e comecei a ler meu jornal, indo pra faculdade. De repente, eu escuto uma voz de contralto falando coisas inteligíveis atrás de mim. Voz forte, falava um idioma que não existia mas lembrava muito o Russo. Falava cada vez mais forte o que me fez ver que era uma maluca e era comigo... Nessas horas sempre penso; "Se eu não mover nenhum músculo, esse trem vai pensar que sou uma samambaia e me deixar em paz..." Dessa vez, assim como das outras vezes, essa tática não deu certo, e então usei o plano "B", que era se levantar e sair dali, como uma serpente fugindo de forquilhas no Butantan.

Fui até a varandinha das barcas e a louca foi atrás de mim, parou do meu lado, segurou meu braço com ternura e olhou nos meus olhos recitando uma poesia no idioma dela. A barca toda explodia em gargalhadas e ela nem se abalava, falava pra mim, olhava pras águas e me tratava como se eu fosse seu capitão... e teve um momento que eu pensei; "Nossa, essa mulher deve ser louca mesmo... nem minha namorada me trata assim..." As barcas chegaram e eu tratei de sair daquela sinuca entrando na multidão que só fazia rir e gritar impropérios do tipo; "Vai comer ou quer que embrulhe!"

Minha fuga não foi bem sucedida pois a doida entrou no ônibus que eu entrei, me fez pagar a passagem dela e foi até a faculdade comigo, olhando, declamando e me matando de vergonha!! Tinha uma guria da minha faculdade que tava no ônibus e eu sentei do lado dela e ela só falou uma coisa; "Ih... se fodeu...!"

No final das contas, graças a rua da lagoa Rodrigo de Freitas, que quase me matará diversas vezes, eu escapei da louca com a menina da minha faculdade que, num golpe de destreza me atravessou e me enfiou na Vinicius de Moraes deixando a doida do outro lado da rua, com medo dos carros que não param ali! Passam batidos!!! Benditos carros...

Só que me lembro de olhar pra trás e ver a louca, do outro lado da rua, com olhos aflitos me vendo partir e mesmo assim, sorrindo pra mim... com um adeus doce... O alívio se mesclou com a preocupação de abandoná-la ali, do lado oposto de uma das ruas mais perigosas que já vi. Porém, tive que seguir meu caminho...

Essa é a história de "loucos na minha cola" que eu mais gosto... pois me massacra como um verme, pois é isso q são todos os sãos desse mundo!

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