O patinho tavu na lagoa... O Menininho tavu na canoa... Se eu fosse uma brabuleta.... Pegavu ele e butavu na maleta....

8/12/2004

O Decreto...


Há muito tempo atrás...
Eu era criança e tinha uma idéia na cabeça. A idéia nasceu de uma inveja e era essa; "Também vou escrever um livro!"

A inveja...
O Rzinho. apareceu na minha casa e esfregou na minha cara, com todo o orgulho do universo, o livrinho que sua escola editara reunindo os contos dos alunos. Produção bonitinha, escrito a mão, feito com mimeografo e capa dura!!! Uma pra cada aluninho... Capa de papel veludo e cola, mas parecia uma caixa de jóia feita por um porco suicida... como aquilo acabou comigo! Se me mostrassem um balde de ouro, era capaz de cagar encima, mas UM LIVRO!!! Como assim?!
A dor da inveja me consumiu tanto que não sei como aquele livro não queimou ali, na minha frente. A minha primeira vontade foi de pegá-lo e rasgá-lo e jogá-lo pela janela gritando coisas como; "Olha o q'eu faço com seu livro editado pela sua professora imbecil e porca que manchou o papel veludo com colaaaa!" - Ao invés disso eu só reparei:

Euzinho - Olha, que estranho, tem umas manchas estranhas aqui no seu lindo livrinho feito pela sua professora...
Rzinho - Quem disse que foi minha professora que fez?! Foi eu que fiz, tudo!!! E essa mancha é de cola... ficou feio né?
Euzinho - Horrível - mas mordido ainda, continuei - estragou o livro...
Rzinho - Que nada, eu ainda tenho que colar o título do livro - para minha surpresa, ele tirou a cola da mala da escola e uma etiqueta/rótulo com o nome do livrinho e o nome dele como autor daquela BOSTA! - Viu? Disfarçou... pronto, ta sem mancha nenhuma agora... Que tal!?

"Olha o q'eu faço com seu livro de papel veludo!!!" - pensei, enquanto sorria pra ele. Quando me livrei de Rzinho - e juro que se ele morreu, não fui eu...zinho - corri até minha mãe e pedi dinheiro além dela me levar para a papelaria urgente.

"Também vou escrever um livro!" - era só isso que pensava. Mas mãe é um saco e toda mãe quer saber tudo e tem que ser tudo com detalhes. Como não podia dizer que sentia uma inveja mortal de Rzinho e por isso precisava fazer a mesma coisa ou matá-lo, acabei inventando uma historinha pra Dona O. que se dobrou a meus caprichos.

Dona O. - Garoto, eu vou lá com você e vou comprar, mas se for mentira, eu te estraçalho, ouviu?!

Comprei um caderno de capa dura, canetas das 4 cores disponíveis no mercado na época e uma régua. E assim, fui à luta do meu livro. O Decreto! Foi o nome q'eu desci para o livro, e a história era baseada no jogo detetive. Muitos personagens envolvidos num assassinato... o de Rzinho, ou melhor, do Sr R(zinho). Horas... dias... e acho que meses escrevendo, sem parar, isolado de todos, com cuidados para que a letra saísse legível e LINDA DE MATAR!!! Tópicos eram colocados de outras cores, notas de pé de páginas explicando o inexplicável e tudo andava bem, até o dia que meu priminho Gzinho(fdp) chegou perto de mim e mandou essa;

Gzinho(fdp) - O que você está escrevendo?
Euzinho de boca cheia - Meu livro, oras...
Gzinho - Posso ler?
Euzinho ainda de boca cheia - Só depois q'eu acabar, oras...
Gzinho - Tem nome, essa obra?!
Euzinho todo cheio - O Decreto!, oras...
Gzinho rindo da minha cara - Tu nem sabe o que significa isso, besta!!! - e sai rindo para voltar pro pátio e brincar.

E assim, afundou o meu projeto, pois eu parei e pensei; "É mesmo! Que porra é essa de decreto?! Ah, qué sabê?! Vou brincar também..." - levantei e fui pro pátio, brinquei, brinquei muito, até a hora de subir. Fui pra casa e, nem me dei conta que o livro, a régua e as canetas ficaram lá no play ground... sem um final, e nunca mais foram vistas...

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